Leão da Ilha

Time do Avai de 1924
Em 1923, o Brasil vive uma grave crise política e financeira. Porém, nas esquinas surge uma paixão nacional: o foot-ball.
Até a década de 20, o futebol era um privilégio de aristocratas e descendentes de europeus. Mas, logo todos perceberam que a bola se adaptava mais aos pés hábeis, as cinturas ágeis e ao talento dos jovens operários. E, em cada esquina surgia um “team”. O futebol já era paixão nacional.
Na rua Frei Caneca, no bairro Pedra Grande, (atualmente Agronômica) um bando de garotos enfrentava os campos improvisados e fazia uma festa aos domingos e feriados. No entanto, eles sonhavam em jogar com os “ternos” (uniformes), como os times do Rio e São Paulo. Um dia, o comerciante Amadeu Horn realizou o sonho da gurizada. Dentro de uma caixa, saíram as camisetas listradas azuis e brancas, calções e meias azuis, chuteiras e uma bola nova. O uniforme era igual ao do seu querido Riachuelo.
Era a hora de estrear o jogo de “terno”. O adversário seria o temível Humaitá. Uma equipe forte e valente. E, num domingo, o campo do Baú ficou lotado. Lá, o goleiro não via a outra trave e nem o ponteiro direito enxergava o ponta-esquerda. Aliás, estes “pequenos” detalhes não interessavam. O que importava era a bola correndo. Os garotos de Amadeu Horn venceram. Infelizmente, os artilheiros se perderam pelo tempo. Jamais se saberá quem marcou o primeiro gol do time azul e branco. O talento dos meninos entusiasmou Amadeu. Para comemorar o feito, ele deu uma festa.
E alguém tem uma idéia genial:
“Vamos fundar um clube!”
Era o início da história do Avaí.

Primeiro escudo do AVAI
1º de setembro de 1923. Era um sábado de tempo bom e vento norte. Um dia aparentemente normal. A cidade estava, como de costume, calma. Nas sombras da árvore frondosa, as pessoas conversavam. Entretanto, na residência de Amadeu Hom estava tudo preparado. Quem chegava assinava o livro de atas. Um só assunto foi discutido: o time de futebol. O nome escolhido foi Independência e Amadeu Hom eleito presidente.

Escudo atual do Avai
Quando todos já começavam a traçar os planos do novo clube, chega atrasado, pois precisara trabalhar após o expediente, Arnaldo Pinto de Oliveira. Contaram-lhe as novas. Ele não concordou com o nome escolhido. “Independência é muito grande. Fica difícil incentivar o “team”. Quando a torcida estiver gritando, depois de um “goal”, Independência, o adversário empata o jogo. É preciso um nome menor. Além disso, as cores não combinam. Ou será que vocês querem mudar as cores?”, conta o historiador Coronel Osni Meira. “E que nome você sugere?”, perguntaram-lhe. Arnaldo estava lendo um livro de história do Brasil e gostara do episódio a Batalha do Avahy. “Vocês já pensaram na nossa torcida gritando Avahy?” A resposta veio em coro: “Avahy! Avahy!”. Era o começo de uma história de glórias e lutas de um clube que nasceu sob o signo da vitória.
Fonte:
Revista “Avai – 64 anos de história” – 1987
(Mauro Antonio Pandolfi, Paulo Henrique Martins e Paulo Scarduelli)